Serviços Ecossistémicos e Avaliação dos Riscos dos Produtos Químicos

Os bens e serviços ecossistémicos são os benefícios que nós (humanos) recebemos da natureza. Estes incluem aprovisionamento de serviços (por exemplo, de culturas que fornecem alimentos e fibras), serviços culturais (por exemplo, os aspetos de ecossistemas que fornecem benefícios espirituais, recreativos e educacionais) e serviços reguladores (por exemplo, o papel dos ecossistemas na mitigação de inundações, alteração dos climas e regulação de pragas e de organismos patogénicos).

As paisagens ambientais são multifuncionais mas a gama de serviços que prestam dependem em grande parte da forma como são geridas. Uma gestão visando apenas alguns serviços limita a prestação de outros; por exemplo, a drenagem de terras para aumentar o rendimento agrícola aumenta a produção alimentar mas reduz a mitigação de cheias. Compreender a forma como os ecossistemas prestam serviços e as trocas entre os mesmos ajuda as autoridades a decidir onde e como podem ser prestados os serviços ecossistémicos que devem necessariamente beneficiar a sociedade.

Além de auxiliar na gestão de paisagens e de dar a conhecer as vantagens que as pessoas recebem do meio ambiente, o conceito de serviços ecossistémicos também é relevante para a forma como avaliamos os possíveis impactos de produtos químicos comerciais que são libertados para o meio ambiente. Este proporciona um enquadramento para focar as nossas avaliações de potenciais impactos sobre os tipos de plantas e animais que prestam os serviços em cada tipo de habitat potencialmente exposto. Em princípio, estas diferenças espaciais alterariam a base de realização de avaliações dos riscos dos produtos químicos desde proteger todas as espécies em toda a parte e a todo o momento, uma abordagem provavelmente conservadora na atual regulamentação de produtos químicos, a uma avaliação que seja mais representativa em termos ambientais baseada nos tipos de utilização de terras e massas de água. Consequentemente, reduzir-se-ia a possibilidade de aplicação de medidas de gestão dos riscos excessivamente cautelosas para os produtos químicos em determinados cenários ambientais. Para terminar, a aplicação de uma abordagem de Serviços Ecossistémicos ajudará a visar a gestão dos riscos, resultando numa proteção ambiental mais eficaz.